Creed – O Legado e a Cria de Dois Rivais

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Por Bruno “El Chanfle” Cavalheiro.

*PARÁGRAFOS SINALIZADOS PODEM CONTER SPOILERS*

Primeiramente, junkies, um Feliz Ano Novo e sejam bem-vindos a mais um pitaco deste mero apaixonado pela saga Balboa.
Tive a oportunidade de assistir ao que prefiro chamar de spin-off desta franquia há algumas semanas aqui nos Estados Unidos e já adianto: não espere ver Rocky Balboa encarando mais um round. Mais do que isso, saia de casa preparado para ver o velho Garanhão Italiano como coadjuvante pela primeira vez.
Espero que você, caro junky, se sinta como eu me senti durante e ao final do filme: respeitado como um fã dessa série cinematográfica.

Creed – Nascido Para Lutar tem estreia marcada para 14 de janeiro no Brasil.

Donnie (apelido para Adônis), é filho bastardo de Apollo Creed, concebido pouco depois do trágico combate de seu pai contra Ivan Drago em Rocky IV.
Anos mais tarde, sabendo da existência do menino, a viúva Mary Anne Creed o adota e faz garantir que o herdeiro de Apollo nunca pise num ringue e tenha o mesmo destino que o pai.
Mas a veia pugilística de Apollo pulsa ainda mais forte em Donnie, que ao longo da vida passa a lutar em clubes clandestinos nas horas de folga.
No auge da juventude e diante da insatisfação de ganhar a vida atrás de uma mesa de escritório, Donnie decide viver sua paixão, ainda que recuse o legado do pai.
Para lhe mostrar o caminho das pedras, o relutante herdeiro elege ninguém menos que uma outra lenda dos ringues: Rocky Balboa.
Um inesperado, ainda que aguardado encontro entre duas gerações.

Creed, tal qual seu protagonista, busca seu lugar ao sol sem se apoiar nos seus antecessores. Uma falha de edição aqui, um corte sem sentido ali, até nisso a obra parece buscar autenticidade.
Sim, as referências estão lá, mas são poucas e tem sua medida e hora certa. Ao invés de simplesmente socar referências cena após cena, a produção confia na obra e nos apresenta um enredo capaz de caminhar com as próprias pernas e faz questão de nos mostrar que a luta desta vez não é de Rocky, mas sim de Donnie. E aí é que percebemos a paixão, o carinho e o cuidado por trás da produção de Creed, ao não apelar desnecessariamente pro saudosismo.

* Michael B. Jordan como Adônis, apesar de monoexpressivo, contracena bem com Stallone e consegue transmitir a angústia do medo de viver sob uma sombra e a ameaça de carregar um grande nome que pode desabar sobre seus ombros. O que já é suficiente ao se levar em conta que se trata de um novato em um grande papel. Stallone, por sua vez, mesmo não vestindo suas luvas desde 2006, se encarrega de passar a faixa ao discípulo e ainda matar a saudade de seus devotados fãs. Ao final, entre professor e aluno o que surge é uma amizade ao mais nobre estilo Karatê Kid.*

Com a difícil missão de falar sobre esse novo capítulo do universo de Rocky Balboa sem estragar (muito) a sua surpresa, amigo junky, concluo: espere por tudo deste filme, menos que seja mais um filme da saga. Ela deu um belo passo para iniciar uma nova franquia. Torçamos para que os produtores se animem para continuá-la. Michael B. Jordan é um rosto que tem aparecido muito em campanhas publicitárias por aqui e apesar de estrelar o fiasco que foi o reboot de Quarteto Fantástico, em Creed ele se sai bem em cena tendo até uma indicação para o Globo de Ouro e é bem provável que o vejamos protagonizando futuros blockbusters de ação.

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Making a Murderer: a perturbadora história de Steven Avery

Olá, Junkies. Como estão?

Não é novidade para ninguém que a Netflix está investindo cada vez mais em produzir filmes, séries e documentários. A série documentário Making a Murderer deixa isso bem claro.

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A questão aqui, além de ser muito bem produzido, é a história e os questionamentos que ela leva. O documentário é dividido em 10 episódios que contam a história de Steven Avery, um homem que cresceu em Manitowoc, Wisconsin nos Estados Unidos. Sempre viveu próximo dos pais, tios e sobrinhos, e trabalhando no ferro velho da família.

O documentário mostra a família Avery como uma família bem unida e simples, que vive afastada da cidade – o ferro velho fica em uma estrada com o sobrenome da família, Avery Road – e que nunca tiveram muitos problemas a não ser por alguns membros já terem sidos presos por alguns dias por terem dirigidos bêbados, perturbar o sossego, esse tipo de coisa, nada que os incomodassem. Isso fez  que alguns moradores de Manitowoc e região adquirissem um certo preconceito em relação aos Avery, que passaram a ser conhecidos como arruaceiros.

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Em 1985, Steven Avery é acusado e condenado por ter estuprado uma mulher de Manitowoc, e fica preso até 2003, quando um exame de DNA da pele encontrada embaixo das unhas da vítima, o inocenta do caso. Fica claro no documentário como os policiais o quiseram o incriminar, chegando ao ponto de inventarem um retrato falado.

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Entre entrevistas com tios, primos, pais e os advogados de defesa de Steven (sim, ele precisou de muitos advogados), fica claro que este sistema é falho. São incontáveis as provas que podem inocentá-lo, mas fica evidente que é não importa o quanto inocente você é, e mesmo se você puder provar, de nada adianta.

Após ter terminado de assistir os dez episódios, fiquei com um sentimento de impotência me imaginando naquela situação.  O que esperar de um país que por muitos é considerado uma referência da liberdade e democracia?

Por fim, a questão principal não é o caso em si, e você fica se perguntando quantos outros casos do mesmo tipo já aconteceram, ainda mais em um país que permite pena de morte.

Pra quem não assistiu ainda, espero que fiquem tanto ou mais impressionados como eu fiquei e que surjam muitas questões que mesmo não respondidas, merecem ser discutidas.