Ditadura Militar no Brasil: A Música parte 1 de 4

Por: Jorge Oliveira

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Olá Junkies! Esse ano de 2014 com certeza ficará marcado na história do nosso País. Além de ser o ano da copa e das contradições a ela relacionadas, que ainda geram manifestações por todo território brazuca, ela marca também um momento de reflexão. São 50 anos que a ditadura militar começou no Brasil. Mas não vou falar de política aqui, pois como todo mundo bem sabe esse blog é sobre entretenimento. A ditadura militar no país deixou marcas na nossa sociedade e mudou o rumo da nossa arte. Na época em que se compreende sua duração (1964 – 1985), muitos artistas, músicos, compositores, poetas, jornalistas eram perseguidos pelos militares, sendo acusados de subversão, uma ameaça para uma sociedade controlada.

            Além das receitas de bolo e piadas publicadas nas páginas dos jornais, outro ramo da cultura foi fundamentalmente afetada. A música. Há quem diga que este foi nosso melhor momento musical, há quem critique os estilos e as letras, mas não podemos negar que foi um período de produção musical em larga escala.

            A ditadura perseguia, tentando calar a voz daquele que gritava por liberdade. E para tentar fugir da censura e da prisão os letristas e compositores mudavam palavras e mascaravam suas letras. Inspirado em músicas dessa época, resolvi homenagear algumas delas nessa série de posts. A primeira será “Cartomante” do Ivan Lins. Vamos a ela:

Nessa letra o autor da canção recomenda a pessoa na época para ela se tranquilizar e evitar atritos com os militares que tudo já estava previsto e esse reinado (a ditadura) uma hora ia ruir:

           

“Cartomante (Ivan Lins)

Nos dias de hoje é bom que se proteja
Ofereça a face pra quem quer que seja
Nos dias de hoje esteja tranqüilo
Haja o que houver pense nos seus filhos

Não ande nos bares, esqueça os amigos
Não pare nas praças, não corra perigo
Não fale do medo que temos da vida
Não ponha o dedo na nossa ferida

Nos dias de hoje não lhes dê motivo
Porque na verdade eu te quero vivo
Tenha paciência, Deus está contigo
Deus está conosco até o pescoço

Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias

Cai o rei de Espadas
Cai o rei de Ouros
Cai o rei de Paus
Cai, não fica nada.”

 

 

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Blue Jasmine

Por: Luiz Sergio

Salve Junkies!

Após um breve sumiço estou de volta para falar um pouco mais sobre a sétima arte, e nada mais legal que voltar falando de Woody Allen!

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Encerrada a temporada de empreitadas em solo europeu com o bom “Vicky Cristina Barcelona”, o fraco “Para Roma Com Amor”, e o soberbo “Meia Noite em Paris”, Woody Allen volta com Blue Jasmine a filmar em solo americano. E volta com categoria.
Ainda não ambientada em sua Nova York natal, a historia sobre a socialite perturbada que vê sua vida fútil e materialista desmoronar após descobrir que seu marido é a mais precisa tradução da palavra ”pilantra”, Blue Jasmine é uma obra densa, atual, reflexiva e muito divertida.

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A vertiginosa queda social da protagonista é narrada não linearmente de forma magistral por Allen que, aos 78 anos, tem o vigor de um menino para compor o seu cinema incomparável.
Como já havia esbanjado em “Melinda & Melinda”, a diferença de tom entre a tragédia e a comédia é uma tênue linha chamado timing, e ninguém domina a arte de transitar entre os dois mundos com tanta qualidade como Woody Allen. É impossível dizer se Blue Jasmine é uma ”Comédia dramática” ou um ”Drama cômico”.

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Cate Blanchett reúne tudo que se vê por aí em estereótipos de mulheres ricas e fúteis: beleza física, futilidade, fragilidade emocional, ignorância, cabelo e roupas impecáveis e um vazio interno que só o excesso de drogas de farmácia e álcool consegue preencher. Jasmine é oca, Jasmine é triste, sempre foi e sempre será, pois seus conceitos de felicidade são irreais, e igualmente ocos e tristes. Mas Cate Blanchet é perfeita e nos transpõe tudo isso sem jamais cair em clichês.

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O elenco de apoio é igualmente impecável, Alec Baldwin e sua simpatia canastrona cai como uma luva como o marido sem caráter de Jasmine, Bob Cannavale e Sally Hawkings também brilham em seus papeis, super pontuais e ainda tem uma ponta com o hilário humorista britânico Louis C.K (ASSISTAM OS VIDEOS DESSE CARA NO YOUTUBE!).
Falar mais é estragar a surpresa. É dar de mão beijada.

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Blue Jasmine concorreu ao Oscar 2014 em três importantes categorias: melhor atriz, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro original. Perdeu o de atriz coadjuvante pra Lupita que é considerada uma das maiores revelações dos últimos anos e o roteiro original para “Ela”, que afinal de contas é de Spike Jonze, um gênio em inventar historias criativas. Cate Blanchet abocanhou o Oscar de Melhor Atriz, e dedicou a Woody Allen e o resto da equipe, nada mais justo.

 

Resenha: 300, A Ascensão do Império (será?)

Por Bruno Cavalheiro

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E aí, junkies?

Prontos para mais sangue computadorizado, frases de efeito e slow-motion exaustivos? Pois bem, tudo isso era esperado para a sequência de 300 e a repetição destes recursos não é nenhum demérito para esta sequência, tendo em vista que tudo isso rendeu uma tremenda bilheteria anteriormente, certo?

Ainda assim, esta continuação não conseguiu agradar a todos aqueles que esperavam uma continuação direta após a queda do Rei Leônidas na batalha das Termópilas. Em vez disso, A Ascensão do Império inicia revelando a origem do deus-rei, Xerxes, que na verdade não passa de um joguete nas mãos de Artemísia, uma grega naturalizada persa e que guarda um profundo ódio de sua terra natal após ver sua família ser morta e ser vendida como escrava por soldados de outra cidade-estado, sendo acolhida posteriormente pelo mensageiro do Rei Dário, pai de Xerxes, que acaba morto pelo herói ateniense Temístocles, nosso protagonista.

Pois é, a sequência de eventos que originaram este episódio ocorrem paralelamente à jornada daqueles bravos 300 espartanos e quem assume a história são os atenienses, o que deveria ter ficado claro durante a campanha de divulgação do filme para não causar aquele sentimento de propaganda enganosa para os que se decepcionaram, mas enfim, tudo faz parte do marketing.

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Entretanto, parece que a enganação é um elemento da história que acaba transcendendo a tela, pois é justamente a vilã Artemísia, a sensacional Eva Green que rouba toda a cena, que vem alimentando por anos aquele ódio contra a Grécia, quem acaba se mostrando a verdadeira líder e com toda a capacidade de dominância da cena que a personagem exige, Artemísia consegue causar terror em seus subordinados ao menor sinal de insatisfação e, como já dito, se outrora pensávamos que Xerxes era quase invencível, qual não é nossa surpresa ao saber que este é apenas uma criação da artesã da guerra.

A relação de dominância e o desejo de se mostrar superior em meio a tantos homens se mostra também no que parece ser uma cena de sexo casual, na verdade é uma luta por autoafirmação: quem fica por cima? Quem fica por trás? Quem prende quem? Quem faz o outro chegar ao clímax primeiro?

300-a-ascensao-de-um-imperioNão é um filme descartável como tantos alegaram, embora apresente alguns problemas na execução. O começo é um pouco arrastado e o filme demora a se apresentar, mas tem ritmo. É notável o esforço do desconhecido Noam Murro ao assumir a sequência, e parece ter sido devidamente orientado por Zack Snyder, que ficou a cargo da produção.

Quanto aos demais aspectos técnicos, a trilha sonora é uma marcha que se repete ao longo das cenas, e há uma predominância de um filtro azul na maior parte do tempo que não deixou muito claro o seu significado, mas as sequências de ação são bem coreografadas e se mantêm empolgantes como seu antecessor.

3001-620x348Então é isso, junkies, em um contexto em que mulheres saem às ruas exigindo respeito e igualdade de direitos e o fim do abuso, 300 – A Ascensão do Império coloca as mulheres atuando no papel central de uma história que fora narrada exclusivamente por homens quando os grandes feitos só pertenciam a eles.